Gonçalo
Salgueiro, 25 anos, formado nas escolas do Seixal FC e com passagens pelo
Corroios, Vit. Setúbal (jun), Paio Pires FC e Beira-Mar de Almada, abraçou no
início deste ano uma carreira internacional. A convite do treinador Hugo
Vicente, o jogador aceitou o desafio e mudou-se durante meia-época para os
noruegueses do Bergsoy IL. Fomos falar com ele, saber o que achou da
experiência e o que espera do futuro.
Bom dia Gonçalo. De
volta a Portugal após 3 meses na Noruega que balanço fazes desta experiência?
Bom dia a
todos, e antes de mais Parabens pelo trabalho desempenhado! Desconheçia o vosso
blog, mas desde que me foi mostrado pela 1ªvez que me tornei num espectador assíduo.
Relativamente a esta experiência, foi uma experiência bastante positiva, e da
qual jamais me irei esqueçer. Foi a 1ª vez que vivi fora do meu país e longe da
minha familia. Não posso dizer que correu tudo conforme planeava (porque apesar
de nos queixarmos do nosso país, lá fora por vezes as coisas também não correm
de feição), mas a nível futebolistico, sim, correu tudo muito bem. Fomos 2
portugueses (Eu e o Fábio Oliveira, ex-Arrentela) e demos boas réplicas daquilo
que fomos fazer.
Abraçamos
também um projecto como treinadores, e, nesse capítulo, desenvolvemos um
trabalho muito bom nos iniciados. No campeonato de Outono (nas camadas jovens
na Noruega, existem 2 campeonatos por ano – um entre Março e Junho e outro de
Agosto a Outubro) ficámos em 2.º lugar atrás do Alesund FK que é a terceira
equipa mais popular da Noruega, a seguir ao Rosemborg e ao Molde, treinada pelo
antigo jogador do Manchester United Ole Gunnar Solskjær. No meu caso, já tinha
3 anos de experiencia cá em Portugal como treinador principal de camadas
jovens, e levei um pouco da nossa “metodologia” de treino, que me ajudou
bastante a cumprir os objectivos e a conseguir o brilhante resultado obtido.
Como surgiu o convite
por parte do treinador Hugo Vicente?
Bem... antes
de mais o Hugo Vicente já tinha sido meu treinador em Portugal, no Paio Pires
Futebol Clube, quando eu era 2º ano de sénior. Nesse ano, recebi o convite da
parte dele e da parte do treinador adjunto (Gonçalo Dordio) e depois de muitas
conversações, conseguiram-me convencer a “abraçar” o projecto que os estava a
lançar no futebol sénior. Nesse ano fui considerado jogador da epoca no Paio
Pires, e no ano a seguir tive algumas propostas e acabei por sair para abraçar
outro desafio. No ano seguinte o Hugo, ainda ficou no Paio Pires onde acumulava
funções lá, e como treinador também no SL Benfica no centro de estagios do
Seixal, tendo saido apenas 2 anos depois para o Sp. Braga. Depois de 3 anos em
Braga, foi para o Bergsoy IL. O convite surgiu em final de Maio, quando o Hugo
queria reforçar a sua equipa na Noruega, e questionou me a mim e a mais 6
jogadores se estariamos interessados em abraçar este desafio. Pelo que sei,
todos responderam que sim, mas devido à politica do clube, acabaram por poderem
ir apenas 2 e a escolha recaiu em mim e no Fábio Oliveira.
Qual o tipo de jogo
que é praticado na Noruega e como é que um jogador português se consegue
integrar?
É um futebol
totalmente diferente do futebol português. O futebol na Noruega está a crescer,
e é notorio os esforços que se esta a fazer para fazer daquele um futebol de
eleição. Mas, neste momento, está ainda em processo de desenvolvimento. Ou
seja, ainda se vê algumas equipas a praticar o tipico “jogo directo” mas já
começam a esforçar-se por praticar bom futebol. No geral, a nível técnico eles
são bastante evoluidos, trabalham muito por exemplo o passe e o remate e nisso,
são mais evoluídos que nós. A nível táctico julgo que não haja tanta qualidade
nos treinadores como nos portugueses, principalmente nos treinadores de camadas
jovens. Em Portugal existe um maior equilíbrio tático nas equipas. Para o
jogador português, claro que depende sempre do tipo de jogador, mas, no geral,
julgo que é facil a integração, principalmente porque é um futebol onde há
espaço para jogar, e onde a qualidade dos treinadores não esta, ainda, muito
desenvolvida, ou seja, por vezes apanhamos jogadores que, apesar de terem uma
grande qualidade tecnica como referi, a nível tactico acabam por cometer alguns
erros e por vezes os principios de jogo deviam de estár melhor desenvolvidos, e
isto acontece, devido a fraca qualidade dos treinadores de camadas jovens.
Como eram os treinos?
E os jogos?
Os treinos
normalmente, não eram nada de estranho para nós visto que o treinador era
português. Exercicios muito bons, sempre com oposição, trabalho especifico, e
uma grande preparação para cada jogo. Tinhamos sempre videos das outras equipas
onde tudo era estudado ao pormenor, e que nos ajudava a conheçer os pontos
fortes e fracos do adversário, havendo sempre durante a semana uma palestra que
nos ajudava também a perceber os objectivos de um determinado exercicio nos
treinos durante a semana. Relativamente
aos jogos, é sempre a parte mais fascinante para quem gosta deste desporto.
Havia sempre muita gente a ver os jogos, havia alguns costumes diferentes aos
nossos, a nível de jogo, de balneario e mesmo a nível de “Fair Play” que
enriqueçeram e muito esta esperiencia.
Qual era a tua
relação com os colegas de equipa e como foste recebido por todos quando
chegaste?
Fui muito bem
recebido. Não só pelos colegas de equipa como por toda a gente na cidade. É uma
cidade que vive futebol onde todos são fãs do Bergsoy IL. Por isso, posso afirmar
que dentro das diferenças culturais existentes fomos muito bem recebidos.
Chegar a meio da época nunca é fácil e ainda por cima depois de dois meses de
férias (que o campeonato cá tinha acabado em inicio de Junho e nos começamos a
jogar lá no inicio de Agosto). Na semana em que chegámos tivemos logo jogo; ou
seja, foi competir sem pré-epoca, mas os primeiros jogos correram-nos bem em
termos individuais e isso ajudou a que as coisas se simplificassem. Conhecemos
também por lá algumas pessoas com ligações ao nosso país e isso também ajudou
nestes meses.
Em termos de
expectativas desportivos o clube conseguiu atingir o que se propunha quando te
apresentaram o projecto desportivo?
Sim, quando
chegamos já era complicado chegar ao 1º lugar para não dizer impossivel. Já
havia uma grande diferença pontual para o 1º. Sendo assim, o objectivo
apresentado, era levarmos para lá uma mentalidade diferente, ajudarmos na
prática dum bom futebol apoiado e o objectivo a nível de tabela classificativa
era chegar ao final nos primeiros 4
lugares e fazer mais pontos do que a equipa tinha feito na epoca
anterior. Acabamos por conseguir ficar nos primeiros 4 lugares e fazer mais
pontos do que o que tinhamos feito na epoca passada, por isso, a equipa
conseguiu cumprir todos os objectivos.
Que conselhos darias
aos jovens jogadores que queiram singrar no estrangeiro?
O melhor
conselho que posso dár, é para arriscarem mas sempre com as devidas precauções.
A vida lá fora nem sempre é facil, e temos primeiro de saber para que local vamos
e como é a vida nesse local, diferenças culturais, etc etc.... Assim como cá em
Portugal por vezes são cometidos erros, promessas, etc etc, lá fora esses erros
também existem. Por isso, depois de uma boa ponderação, e se a proposta for uma
proposta irrecusável, arrisquem e vão a luta.
Em termos de futuro,
agora que terminou a época na Noruega, o que se segue?
Sinceramente
ainda não sei. Agora estou de ferias, mas para regressar ao estrangeiro neste
momento a proposta tem de ser muito interessante. Falta-me a tese do meu
mestrado em Engenharia Mecânica para o finalizar e, por isso, por agora devo
ficar até Julho por Portugal. Mas, como o futebol é um sonho, e, se me apareçer
uma proposta muito interessante, quem sabe.... Neste momento tenho algumas propostas
e estou a analisa-las e por isso nos proximos dias, deve haver novidades.
Muito obrigado e
felicidades para o futuro!
Pedro Rodrigues Vidal


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